A ateia.

Eu queria acreditar que essa vela acessa fosse capaz  de estabelecer uma ponte entre a minha  necessidade e a benevolência de Deus, mas não posso. Olho para essa cera perdendo a consistência  e a única certeza que me ocorre é a de que o Marcelino do mercadinho está tendo muito lucro com a fragilidade do mulherio. Maços e maços de velas são queimados todos os dias nos silêncios dos desesperos. As causas são muitas. É marido que não volta, ferida  que não cura, emprego que não chega, plantação que não vinga. As velas nascem das precariedades. (MELO, Pe. Fábio De. Mulheres de aço e de flores, 2015, p.55).



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Mulheres cheias de graça &
Mulheres de aço e de flores

Pe. Fábio deve ter tido inspiração divina ao escrever essas obras. Fiquei fascinada pelo seu notável talento em descrever com tanta propriedade a realidade e os sentimentos da alma feminina. É impossível não se identificar pelo menos um pouquinho com cada uma dessas mulheres cheias de graças de aço e de flores. Elas são mulheres comum, gente como a gente, sofridas, caladas, mal tratadas, batalhadoras, destemidas, desbocadas, pobres enjoadas, infelizes, esperançosas, intrometidas, e várias outras. Algumas vezes de aço; e outras de flores.

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